Eu tento gritar, mas ninguém parece me ouvir.
É quase como se fosse um daqueles pesadelos em que você parece não existir e existir ao mesmo tempo. Já não sei se não existo ou se os outros é que não existem.
Confuso fico com essas questões postas à mesa.
Com meu direito a dúvida, indago-me: Seriam as pessoas o gênesis de meus problemas ou seria eu mesmo?
Afinal, havia problemas enquanto não existiam pessoas?
Entramos em outro ponto importante. Porque essa dúvida poderia ter como resposta “não”. Visto que o conceito de problema não existia antes dos humanos, já que estes o criaram.
Nossa raça seria a origem dos problemas, então?
Difícil responder. Um animal não sabe o que é um problema, mas sente-o; visto que sempre está pronto para correr quando seu predador encontra-se pelos arredores. Seria algo natural, então?
Não? Afinal, se ele sente o problema, pode-se dizer que ele existe. Logo, não fomos nós que o criamos. Mas podemos criá-lo. O problema por trás da origem do tal problema é, na verdade, saber o que é o problema.
Se tomássemos um pouco do nosso tempo para pesquisar sobre o problema, veremos que ele é um substantivo. Mas é um substantivo negativo.
Que atirai dez dólares aquele que tiver visto problema sendo utilizado como um substantivo positivo.
Mas... E se o problema não existisse?
Já parou para pensar que sem problemas não haveria soluções? Frente ao fato de que não existe uma solução para nada, assim como não há resposta sem pergunta.
Seria então o problema algo positivo? Quero dizer, o problema e a solução estão totalmente relacionados com a dúvida e a resposta.
Quando uma criança é muito curiosa — carregando muitas dúvidas — ela é julgada pela sociedade com um olhar positivo. Afinal, uma criança cheia de dúvidas, terá muitas respostas, e assim adiante, até ter uma imaginação flexível somada com um conhecimento admirável.
Portanto: Por que uma criança cheia de problemas não é julgada pelos humanos com um olhar positivo? Se ela solucionar estes problemas, ela terá experiências que muitas pessoas nunca terão na sua vida inteira, com apenas 15 anos, por exemplo. Você pode pensar em argumentar que problemas geram sequelas, e isto também seria visto como algo negativo. Mas e as dúvidas? Não geram elas também?
Você se deparou com muitas dúvidas durante sua vida. E já teve o contato com a resposta de muitas destas dúvidas. Pense consigo, então: Se você tem uma dúvida sobre sua crença religiosa, e os dogmas abraçados por você contradizem o poder de duvidar, você tem um problema. Sua própria dúvida gerou um problema. Quando ambos forem possivelmente solucionados, você terá experiência e conhecimento sobre uma determinada variável.
A sociedade julga as pessoas de forma errada, então?
Isso seria um problema.
Mas para julgar é necessário um critério. O critério é embasado em ideias, sejam “verdades” ou não, o que leva o critério a ser uma opção mediante um ponto de vista.
Para chegar-se a um ponto de vista é necessário dúvidas. Você nunca conclui algo sem se perguntar alguma coisa sobre o algo.
Ora, erramos nós desde nossas dúvidas?
Isso é incerto. Uma solução interessante para esse problema duvidoso seria deixar de duvidar do problema e aceitá-lo como natural.
O problema surge para uns, é resolvido por estes e prossegue a outros.
Esse é o problema.