Launchorasince 2014
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"O Punk de Seul"


Londres sempre fora um lugar perfeito aos olhos de Wheston, via a cidade onde sua mãe nascera com olhos de admiração e respeito. Desde pequeno morava com seu pai, já que a perdera muito cedo.

Wheston Benjamine estava na flor de seus 19 anos, com pai americano e mãe inglesa, era relativamente alto e bem magro, seus cabelos negros cobriam quase que completamente seus olhos de mesma cor. Sua tez bem alva anunciava seu sedentarismo, odiava ter que sair de casa pra qualquer coisa, ir a escola era o ó, mas não deixava de ser extremamente receptivo e cercado de colegas. Mesmo tendo um rosto bem feminino não deixava de ser um chamariz para as garotas do bairro, não se importava com elas, garotas trazem preocupações e só sabem falar, ele adora o silêncio. Seu sorriso era largo e mostrava todos os dentes brancos e retos, sua única imperfeição, segundo todos que o cercavam, era sua língua extremamente afiada, motivo este que levava seu pai, Sr. Natan, a passar horas e horas no mesmo sermão, Wheston revirava os olhos de cansaço, mas fazer o quê, ainda dependia de seu “amado” pai!

Nunca gostara da ideia de um novo casamento para Natan, mas quando chegou a infame notícia logo tratou de arrumar um jeito de ir para a Inglaterra, lá ele tinha certeza que iria ser feliz, longe do caos e do barulho de Seattle. Em parte conseguiu, passou em uma universidade, não havia desculpa melhor para fazer as malas e ir, amava seu pai e ele era sua única família, mas aquela mulhersinha sem sal que ele havia arrumado destruiu o restinho de paciência que ele tinha, pobre moça, mal sabia os pensamentos dele quando apareceu pela primeira vez com aquele vestidinho cor de rosa cheio de babadinhos, “francesa nojenta”, dizia, e mais um monte de coisas que não poderiam ser escritas aqui.

Pegar um avião nunca pareceu tão emocionante, tudo parecia brilhar! As pessoas pareciam mais felizes, as vidraças reluzentes. Ah! Isso se chama felicidade? Para o jovem rapaz, sim! Seu pai sempre o apoiara e agora não seria diferente, lhe deu toda a força que ainda restava, mas continuava abalado com a ida de seu pequeno croissant, como sua mãe o chamava. Estava no avião, agora não havia mais volta, já estava lá em cima, voando no meio de um céu cinzento que aos poucos foi se tingindo de um azul magnífico.

Iria para a Inglaterra, iria se formar, iria ter uma casa, iria finalmente ter a vida que escolheu.

Será que realmente isso valia a pena? Sair do conforto de seu lar e enfrentar um mundo diferente do seu habitual era mais do que ele precisava e queria. Então, por que continuava tremendo?