Launchorasince 2014
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Tears of Helena


  A sensação de se estar vazia. Entorpecida e sozinha.

  Eu acordo esperançosa de hoje ser o dia que eu vou permanecer sóbria. Calço meus gélidos sapatos e vou desanimada para o banheiro ver os estragos da noite anterior. Se meus pais ainda estivessem aqui, com absoluta certeza diriam que estou parecendo uma prostituta e eu não poderia discordar. Parece que um bovino mastigou os meus escuros cabelos e a minha pálida face está toda borrada devido a forte maquiagem, estou deplorável e expelindo vodka pelos meus poros. Os filetes de luz que invadem o cômodo, pela pequena janela acima do chuveiro, fazem meus olhos queimarem e tortura a minha cabeça.

  Fito a horrenda imagem que aparece no meu espelho, abro a torneira e jogo uma boa quantidade de água gelada no meu rosto. Caminho até a modesta cozinha e me sirvo uma xícara de café, o coloco sobre a mesa que possui um gritante tom de amarelo. Os ventos que adentram o apartamento informam ser uma manha fria de Setembro.

  Todos os dias me sufoco em pensamentos e falsas esperanças. Uma constante luta por sanidade que me torna excepcionalmente enlouquecida. E nada muda, continuo nesse paradoxo temporal sem entender absolutamente coisa alguma.