Launchorasince 2014
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Sentidos


Seja de que maneira todos estamos vivos. Satisfeitos ou não com a vida que levamos mas a verdade é que vivemos, estamos vivos, praticamos a mais humilde e complexa arte que é a de viver. No entanto se pensarmos sobre a vida, o que realmente é? Trata-se de um período de infinita procura de respostas a perguntas que desconhecemos? Trata-se de uma ilusão de felicidade e liberdade?

São estas as respostas que procuro nunca responder enquanto viver. Para mim a vida, independentemente de justa ou injusta, é fundamentada pelo sentir e como sentir e como fazer sentir. Conseguimos explorar de tantas maneiras o nosso físico. Seja individualmente, seja em grupos, a parte física humana está tão sobrexplorada que acho que nos devemos focar no interior. A retrospectiva individual referente ao sentimento causado numa situação é, para mim, muito mais relevante que a importância física.

Num contexto interior, devemos de algum modo pretender indefinidamente saber os nossos limites e os limites de quem nos rodeia. Devemos procurar sentir a nossa felicidade em pequenos gestos que procurem a felicidade do outro. Por outras palavras, devemos procurar sentir as pessoas e as suas convicções e verdades. Num mundo tão repleto de pessoas e de sons, o que menos se ouve é a essência humana.

A vida não interessa de que modo é experimentada, o que realmente importa é a maneira como é sentida e percebida pelos habitantes efémeros da Terra. 

Não me considero o verdadeiro modelo da minha teoria, mas na verdade acredito que cada um vive e sente segundo as suas interpretações e restrições. Posso não ser o melhor exemplo, posso até me regrar pelo provérbio "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço", visto que as minhas acções e a minha maneira de viver a vida podem não ser consideradas as mais corretas pelos padrões individuais de quem me rodeia. Não acredito que a minha maneira de viver seja a mais correta pois vivo numa ilusão da realidade. Por mais que tente viver no mundo real, não consigo pois auto censuro-me por ser assim. É para mim difícil integrar, é difícil ser-se alguém quando nos sentimos como ninguém, mas em contraste a este meu lado negativo, acredito na mudança e na possibilidade de melhoramento. Aliás admito que existe mudança pois sinto-me a prova viva disso. Experimentei uma mudança radical mas progressiva que sinto que, a meu ritmo, irá atingir as metas pretendidas.

Para concluir quero dizer que a maneira como nos sentimos e fazemos os outros se sentirem é o mais importante da vida. Devemos procurar a paz interior e a felicidade em nós mesmos e nos outros e, para isso respeitar os limites e barreiras deles.

Sentidos by Afonso Andrade Andrade | Launchora